As exigências que nosso Senhor faz no Sermão do Monte são impossíveis de cumprir — a menos que Ele tenha realizado uma obra sobrenatural dentro de nós. Jesus Cristo não apenas exige que seus discípulos vão a segunda milha, como também exige que não haja nenhum traço de ressentimento dentro deles quando enfrentarem tirania e injustiça por causa do compromisso com Ele: “Bem-aventurados são vocês quando os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês por minha causa. Alegrem-se e regozijem-se” (Mateus 5:11–12). Não há entusiasmo, nem qualidade humana natural, que suporte a pressão que Jesus Cristo coloca sobre seus servos. A única coisa suficientemente forte é um relacionamento pessoal com Ele. Esse relacionamento precisa ser provado até que reste ao discípulo apenas um propósito: “Estou aqui para que Deus me envie para onde quiser.” Todo o restante na vida do discípulo pode se confundir, mas esse relacionamento com Jesus Cristo deve permanecer perfeitamente claro.
Se vou ser discípulo de Jesus, preciso ser feito um de modo sobrenatural. Enquanto eu estiver decidido, por minha própria vontade, a ser discípulo, posso ter certeza de que não sou. O discipulado não é uma questão da minha determinação, mas da de Deus: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, eu os escolhi” (João 15:16). É assim que começa o chamado ao discipulado. Posso ignorar o chamado de Deus, mas não posso gerá-lo nem decidir como respondê-lo. Quando nosso Senhor faz discípulos, Ele não pede que façam coisas para as quais são naturalmente aptos. Ele pede que façam coisas para as quais foram sobrenaturalmente capacitados por sua graça.
O Sermão do Monte não é um ideal inatingível. É a descrição do que realmente acontecerá em mim quando Jesus Cristo tiver transformado minha disposição e colocado em mim uma disposição semelhante à sua. Somente Jesus Cristo pode cumprir o Sermão do Monte.