Não havia nada de impulsivo nem de frio em nosso Senhor, mas uma força serena que nunca entrava em pânico. A maioria de nós desenvolve sua vida cristã seguindo a linha dos próprios impulsos, e não a linha de Deus. A impulsividade é uma característica humana natural, mas nosso Senhor sempre a ignora, porque ela dificulta o desenvolvimento da vida de um discípulo.
Observe como o Espírito de Deus refreia nossos impulsos. Suas intervenções trazem uma onda de autoconsciência que imediatamente nos faz querer nos justificar. A impulsividade é aceitável em uma criança, mas desastrosa em um homem ou uma mulher; um adulto impulsivo é sempre um adulto imaturo e irritadiço. A impulsividade precisa ser disciplinada até se transformar em intuição.
O discipulado não tem nada de impulsivo; ele é construído inteiramente sobre a graça sobrenatural de Deus. Andar sobre as águas é fácil em um impulso momentâneo de coragem, mas andar em terra firme como discípulo de Jesus Cristo é outra coisa. Pedro andou sobre as águas para ir até Jesus (Mateus 14:29) — mas também caminhou muito com Jesus em terra. Não precisamos da graça sobrenatural de Deus para enfrentar crises; a natureza humana e o orgulho já são suficientes para isso. Mas precisamos da graça dEle para viver vinte e quatro horas por dia como santos, para atravessar as tarefas cansativas como filhos de Deus, para viver uma existência comum, não percebida e ignorada como discípulos de Jesus Cristo. Pensamos que precisamos fazer coisas extraordinárias para Deus, mas isso não é verdade. Precisamos ser extraordinários nas coisas comuns, ser santos nas ruas simples — e isso não se aprende em cinco minutos.