A fé em antagonismo ao bom senso é fanatismo; o bom senso em antagonismo à fé é racionalismo. A vida de fé coloca os dois em um relacionamento correto. O bom senso não é fé, e a fé não é bom senso. Eles se relacionam como o natural com o espiritual, como o impulso com a inspiração. Nada do que Jesus Cristo disse é bom senso. Suas palavras são senso de revelação; elas alcançam a margem onde o bom senso falha.
“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28). A fé precisa ser provada antes de se tornar real. Se amamos a Deus e somos chamados segundo o seu propósito, podemos ter a certeza de que, aconteça o que acontecer, a alquimia da sua providência transformará o objeto da nossa fé—Jesus Cristo—em uma força ativa e vital em cada uma de nossas vidas. Todo o propósito de Deus é tornar a fé real na vida de seus filhos. Ele faz isso com cada um de nós pessoalmente, atuando por meio das nossas circunstâncias individuais.
Transformar uma fé apenas intelectual em uma posse pessoal é uma luta sempre, não apenas às vezes. Deus nos conduz a certas circunstâncias para provar e educar a nossa fé, porque a natureza da fé é tornar real o seu objeto. Até conhecermos Jesus, Deus é uma mera abstração; não podemos ter fé nele. Mas, quando ouvimos Jesus dizer: “Quem me vê, vê o Pai” (João 14:9), passamos a ter algo que já não é abstrato, mas real e ilimitado.
A fé é um princípio tremendamente ativo; ela sempre coloca Jesus Cristo em primeiro lugar. Em qualquer desafio, a fé diz: “Isso pode parecer insensato, Senhor, mas vou avançar com base na tua palavra.” A fé sabe que, para cada situação de bom senso, há uma verdade de revelação à qual podemos recorrer para comprovar, na experiência prática, aquilo que cremos que Deus é. A fé é a pessoa inteira corretamente relacionada com Deus pelo poder de Jesus Cristo.