
A Redenção Cria a Necessidade que Ela Mesma Satisfaz
O evangelho de Deus cria a consciência de necessitar do próprio evangelho. Paulo diz: “Se o nosso evangelho está encoberto, está encoberto”—para quem? Para os que vivem de forma imoral? Não—“para os que estão perecendo. O deus desta era cegou o entendimento dos incrédulos, para que não vejam a luz do evangelho” (2 Coríntios 4:3–4). Por “incrédulos”, Paulo se refere àqueles em quem a vida de Deus ainda não foi gerada por meio da redenção pessoal. Quando a redenção cria a vida de Deus na alma humana, ela também gera tudo o que pertence a essa vida, inclusive a consciência de necessitar do Senhor. É Deus quem cria a necessidade da qual ninguém tem consciência até que Ele se manifeste; nada pode satisfazer essa necessidade senão aquilo que a criou. Esse é o significado da redenção: ela tanto cria quanto satisfaz.
A maioria das pessoas não sente necessidade do evangelho porque possui moralidade e autossuficiência ao seu alcance. Jesus disse: “Pedi, e dar-se-vos-á” (Mateus 7:7). Isso é verdade, mas Deus não pode dar até que peçamos, e não pediremos se não sentirmos necessidade. Não é que Deus retenha; é simplesmente assim que Ele estabeleceu as coisas com base na redenção. Ao pedirmos, Deus põe em movimento um processo pelo qual cria o que não existia até então. A realidade interior da redenção é que ela está sempre criando.
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (João 12:32). Podemos pregar nossas próprias experiências, e as pessoas se interessam, mas nenhuma consciência de necessidade é despertada. Porém, quando Jesus Cristo é exaltado, o Espírito de Deus cria uma necessidade consciente dEle. Por trás da pregação do evangelho está a redenção criadora de Deus operando na alma das pessoas. O testemunho pessoal nunca é o que salva: “As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (João 6:63).

